quinta-feira, 19 de outubro de 2006

A musica Poema é do Cazuza...

Hoje eu acordei ouvindo uma maritaca na minha janela e ao sair apressado também vi um sagui no Ipê amarelo aqui da rua...a noite cheguei sob o som da coruja que sempre canta solitária nos meus fios de alta tensão! Ah, sim, moro em São Paulo! Apaguei as luzes da cozinha e jantei com a luz da velha tv, seu chiado da solda fria e sua novela, muda.
Memorável jantar, um ralo strogonoff de carne, salgado demais, misturado a arroz, batatinha, chiado de tv e solo de coruja velha! No infinito de minha cabeça pensei que o ser humano se acostuma a quase tudo, e logo, vou preferir as mudanças desconfortáveis ao macio marasmo da obviedade.

Já aos amigos do Ritorna, dos sabres e das já sagradas terças...a música que me lembrou as imagens do Nietzsche é a.....

Poema,

de Cazuza e Frejat

Eu hoje tive um pesadelo e levantei atento, a tempo
Eu acordei com medo e procurei no escuro
Alguém com seu carinho e me lembrei de um tempo
Porque o passado me traz uma lembrança
Do tempo que eu era criança
E o medo era motivo de chôro
Uma desculpa para um abraço ou um consolo

Hoje eu acordei com medo, mas não chorei
Nem reclamei abrigo
Do escuro eu via um infinito sem presente
Passado ou futuro
Senti um abraço forte, já não era medo
Era uma coisa sua que ficou em mim (e que não tem fim)

De repente a gente vê que perdeu
Ou está perdendo alguma coisa
Morna e ingênua
Que vai ficando no caminho
Que é escuro e frio, mas também bonito
Porque é iluminado
Pela beleza do que aconteceu
Há minutos atrás.

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