sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Tropa de Elite, osso duro de roer!

O que Padilha (diretor de Ônibus 174) fez com Tropa de Elite ainda não havia sido feito no Brasil: cinema de aventura\policial para as massas (no molde e qualidade americana, digamos de um segundo escalão). Nestes quesitos o filme é realmente bacana.

Bellini e a Esfinge e Os Assassinos são exemplos brazucas que já propuseram aventura policial americanóide, mas passaram longe dessa referência seja por qualidade técnica, seja pela narrativa sem a cadência do “cinemão” gringo. Já Cidade de Deus não foi filme para as massas por outras razões. Sua linguagem MTV denúncia, seus cortes video-clipeticos, sua postura de revelação da verdade, sua tentativa frustrada de uma visão ética da barbárie e até sua superexposição contraditória de “personagens reais” que hoje são astros da indústria do cinema nacional, o colocam fora da rota de Tropa de Elite.

Entretanto o que Padilha fez foi só isso e ponto. Seu filme contém todo o estereotipo, todas as reduções e dualidades de qualquer filme deste tipo em outros países. Enaltece a tortura e a violência policial, dá soluções e apresenta causas questionáveis para conflitos sociais, levanta polêmicas rasteiras sobre preconceito, reforça elementos simbólicos que ocultam questões fundamentais na luta de classes.

Como bem definiu Kleyton Rogério na Ilustrada: " herda do cinemão americano o roteiro esquemático, o moralismo mistificador, o cinismo utilitário, a hipocrisia social, o pensamento monolítico. Banaliza e glamouriza a tortura. Acha justificável os fins da assepsia social e seus meios aéticos. É um filme desumano e autoritário”.

E afinal não é nesse moralismo mistificador que religiosos e o Edir Macedo deitam e rolam suas vidas e as dos demais:: Não é nesse cinismo utilitário que Maluf, ACM, o clube do uísque, os jovens que queimam índios, mãe da fila dupla na porta da escola e seu avô reacionário chafurdam:: Não é por esse pensamento monolítico que Datena, o Brito Junior e o Jornal Nacional são patrocinados pelas casas Bahia:: Não é a Hebe, os condomínios fechados, e a relação da empregada doméstica que vestem essa hipocrisia social:: Não são estes os que defendem “a limpeza étnica” da sociedade como um rabisco que se paga com borracha::

Tropa de Elite é um grande marco na cinematografia brasileira. Já é recorde de público e certamente deve gerar filhos pródigos. Para além de ser uma excelência da aculturação estética inevitável e desejável pelo público de cinema no Brasil, é a síntese de um fragmento do Brasil sob o olhar que a imprensa nacional e classe média metropolitana conseguem enxergar.

Pois então meu povo, aplaudam seu horroshow!!!

terça-feira, 25 de setembro de 2007

O quereres

Eu queria querer-te e amar o amor, construírmos dulcíssima prisão
E encontrar a mais justa adequação, tudo métrica e rima e nunca dor
Mas a vida é real e de viés, e vê só que cilada o amor me armou
E te quero e não queres como sou, não te quero e não queres como és
...
O quereres e o estares sempre a fim do que em mim é de mim tão desigual
Faz-me querer-te bem, querer-te mal, bem a ti, mal ao quereres assim
Infinitivamente pessoal, e eu querendo querer-te sem ter fim
E querendo te aprender o total do querer que há e do que não há em mim


Caetano, instável, em momento de ápice!

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Ao grande Thiago...história como verdade tem prazo de validade.

Por certo que o passatempo de nossa personalidade arrogante, do currículo dos próprios feitos, são a rememória constante nos presentes de pretérito imperfeito. Mas é importante o destaque de seu texto, se o fazemos é por que deixar-nos evidente uma espécie de patente acreditamos de legitimo pretexto.
Permita-me porém de sua idéia, um momento. Ser arrogante tem trunfo mais pertinente que o passado, é senão o próprio reconhecimento. Já o passado, geralmente, é fruto de seu desejo em ser legitimado e não é a toa, quase sempre, que passado dos outros nos pareça alterado.
Dissipar o resultado de nosso próprio contexto, em detrimento a qualquer outro contexto é a única forma de permanecer no tempo. É aí que você tem a mais plena razão, apenas a humildade perscruta o infinito. Obrigado meu amigo, teu conselho ecoa em mim:

Ruinado está aquele que só age à própria história conservar!

Arroganteza (por Thiago)

Um dos traços mais característicos nas personalidades arrogantes é o lembrarem-se constantemente de tudo o quanto caminharam para chegar aonde estão. Estas personas sentem um sabor especial em relembrar os seus feitos, mesmo que não comentem nada aos outros (em casos particulares de inflação autônoma de ego).
Dou aqui o meu testemunho embasado em vários anos de arrogância prática: o trunfo dos arrogantes é o passado. E pensando assim arrogantemente não percebemos que entravamos a nossa continuidade, porque então qualquer passo à frente pode significar um esforço desnecessário, ou ainda um risco ao império (realista ou fantasioso) que se conquistou. (Escusado é dizer aqui que tudo o que se fixa pretendendo a eternidade se destina à ruína, porque o Universo não tolera estes desvios)Apenas a humildade perscruta o infinito.

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Foucault e os Intelectuais

A morte dos intelectuais parece-me um estranho conceito. Intelectuais, nunca os encontrei. Encontrei pessoas que escrevem romances e pessoas que curam os doentes. Pessoas que estudam economia e pessoas que compõem música eletrônica. Encontrei pessoas que ensinam, pessoas que pintam e pessoas de quem não entendi se faziam alguma coisa. Mas nunca encontrei intelectuais.
Pelo contrário, encontrei muitas pessoas que falam do intelectual. E, por escutá-los tanto, construí para mim uma idéia de que tipo de animal se trata. Não é difícil, é o culpado. Culpado um pouco de tudo: de falar, de silenciar, de não fazer nada, de meter-se em tudo... Em suma, o intelectual é a matéria-prima a julgar, a condenar, a excluir...
Não penso que os intelectuais falem demais, porque para mim não existem. Mas penso que o discurso sobre os intelectuais esteja passando do limite e seja pouco encorajante.
Tenho uma feia mania. Quando as pessoas falam tanto por falar, quando fazem discursos que ficam no ar, procuro imaginar onde levariam as suas palavras se fossem transcritas na realidade. Quando "criticam" alguém, quando "denunciam" as suas idéias, quando "condenam" o que escreve, imagino-os numa situação ideal em que têm pleno poder sobre ele. Reproduzo as suas palavras no primeiro significado: "demolir", "abater", "reduzir ao silêncio", "sepultar". E vejo abrir-se a radiante cidade em que o intelectual certamente seria prisioneiro e enforcado, com maior razão se fosse um teórico. É verdade, não vivemos em uma região em que os intelectuais são mandados ao diabo; mas, na realidade, diga-me, por acaso ouviu falar de um certo Toni Negri? Por acaso não está na prisão exatamente enquanto intelectual?

http://brigadasinternacionais.blogspot.com/2007/09/toni-negri-amrica-latina-est-acabando.html

sábado, 8 de setembro de 2007

Marx, Delacroix, Lou Reed, Michel Jackson e Sucrilhos - tudo em um!










Amigo DM - São Paulo, Fevereiro, 1997

No saguão da USP chegou Eduardo, que só conseguia falar puxando a pele do próprio pescoço com a mão esquerda. Sincero, Dudu acenava na direção que lhe cabia a cuca e a bem da verdade sua excênticidade era esplêndida. Ainda é nítida a primeira vez que o vi, tinha uma capa preta costurada sob medida por sua mãe...aliás, linda capa preta!
Aquele ano de 97 nos rendeu boa safra de convivência, jogamos RPG, batemos longos papos de corredor e Robin Hood roubou minhas moedas de ouro já na primeira Taverna.
O desencontro não tardou, Dudu deixou o curso e sumiu, mas corriam boatos de suas amigas patrícias que era ele professor de piano, clandestino em Paris.

Anjo Ninja - Sevilha, Julho de 1999

A madrugada de terça-feira rendia-me a rendição. Subi naquele parapeito da ponte do rio que corta a cidade das dançarinas de flamenco na vontade de um salto mortal. Ventava no reflexo da lua cheia, alvo que mirava na água turva. Aquela desilusão amorosa transformara-me em um falsete do Werther, de Goethe. Mas no interlúdio de minha covardia, Dudu reapareceu só (em plena madrugada, numa ponte, no meio da semana, no interior da Espanha!!!).
Chamou-me pelo nome e perguntou o que estava fazendo em pé na beira daquele precipicio. No princípio foi inevitável pensar em Deus...aos poucos, já conformado, desci do parapeito atônito econversamos muito, Dudu levou-me a uma festa e depois eme ajudou a seguir pra Granada. Foi uma insólita noite nos paralelepípedos das touradas. E então, como que inveitável e ainda naquele dia, outro desencontro, outro hiato...

Idolo de Argila - Bragança Paulista, Março de 2004

O estábulo no meio da fazenda seria o palco para o show de um primo vocalista. A banda usa codinomes, canta línguas inventadas e toca com brinquedos. A influência vai de Lou Reed a Roberto Carlos. O bar-estábulo é de dificil localização, fica no meio do nada depois de 30 minutos de estrada de terra.
Sob o céu estrelado dos pastos, lá pela meia-noite, surgiu Dimas Turbo, um japonês de cbaelço na cintura usando vestido. Um Barry White franco-niponico, tecladista, e ninguém menos que Dudu Tsuda. Reconhecimento imediato do inexplicável, para cientistas, compreensível!

O anjo-pássaro-erótico-malaio, ninja maior do clã Mojica já não some ou aparece...Dudu agora é onipresença, memorial...um lobo nú, com pochete de couro e tamancos!

Tragam suas oferendas...

http://www.jumboelektro.com.br/jumboelektro/index.htm
http://www.trashpour4.com.br/

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

A estação da vida...

Quando nutrem por nós qualquer expectativa que sabemos de antemão impossível superar, vivemos um curto tempo deitando nos prazeres da cama desta falsa fama, ou as baixamos imediatamente, a fim de satisfazer as nossas próprias expectativas num pra sempre qualquer.
Cuidado com a própria vaidade!!!!
Perder alguém assim tem gosto de cabo de guarda-chuva que nunca mais sai da boca.

Tiros em Riviera

Eu vi o depoimento da mãe do tal Thales, o promotor que atirou numa galerinha na praia da Riveira paulista. Ainda fico meio chocado com o estado letárgico das pessoas, e o dessa mãe, diante dos absurdos que proferiu em defesa da prole, agrediram tanto quando sua imagem: voz baixa, arrogante, olhar blasé, medalhinha de nossa senhora, casaquinho de lã da cor do cabelo acinzentado. Liga das Senhoras católicas. Escrotíssima!
A mídia quer a condenação, não cansam de dizer que já afastado é um absurdo o indivíduo ainda receber o salário. O povo, por sua vez, adiciona mais um pote na prateleira da descrença. A maior parte do MP e dos juristas alega legitima defesa, e é aqui que mora o diabo. Thales diz que defendeu a própria honra e a da namorada quando mexeram com a garota. Mas o promotor deu seis tiros no peito de um dos jovens, no meio da tarde, numa praia e não foi a primeira vez, o cara tem outras passagens pela polícia.
Tudo errado, não! Vamos do começo: Um Estado existir, um promotor existir, um promotor ter fórum especial, um promotor andar armado, um cara com passagens por agressão estar armado, existirem armas de fogo em pleno século XXI, a noção tosca (e jurídica) de uma defesa legítima, todos terem idade de jovens, um grupo de boçais mexerem com mulheres acompanhadas em um país machista e paternal, a foto do cuzãzinho que morreu ficar super exposta, um povo querer justiça, um povo ficar descrente, condenações, a relação egoísta entre um homem e uma mulher, a defesa da honra, uma mulher que não se defende sozinha, alguém ainda acreditar em honra, uma mãe católica tradicionalíssima dar entrevistas, a mídia e seu factóide do salário, um salário de 10 paus num país como o Brasil, uma praia fechada, uma praia de gente rica, putz...não acaba mais!
Vamos vender jornais...
Hey dudes, carry the news!!!!