segunda-feira, 20 de março de 2006

Poesia ao Fim...

Preencho com grafite o espaço.
Começo pelo fim. O grande drama da vida é que tudo possui um derradeiro começo. O meio das coisas é potencialidade humana, terrena, racionalização de um deus chamado Tempo, nos subjulgamos ao invisível para estendermos a própria encarnação da saudade em um corpo denso que justifique a dor aguda. Não se prolongam os instantes preciosos desta vida. É aqui que mora a veracidade dos sonhos que me findaram o corpo. Sou condenado a viver pela relatividade do ato. A fama me quer ao estrelato, e de linha torno-me linha de fato. Que inveja do horizonte, delata minha insignificância no infinito de sua própria linha e ainda se esconde atras dos montes de minha própria casa.
Tenho saudade de nosso silêncio.


"Não és bom, nem és mau: és triste e humano...
Vives ansiando, em maldições e preces,
Como se a arder no coração tivesses
O tumulto e o clamor de um largo oceano.”
Bilac

Devaneios sobre o existir...

Todos os caminhos humanos levam a sobrevivência? Toda a forma de transcender nossa existência física, seja através de metafísica, seja através da fé, é apenas criação humana?

Estas respostas condicionam nossas compreensões. São questões limítrofes, cujas respostas se tornam postulados de nossas relações com o mundo que nos cerca.

Se todas as coisas que realizamos se motivam na sobrevivência, toda ação humana se torna função de um resultado natural, e até mesmo estabelecer leis para que duremos em maior quantidade e por mais tempo tornam-se puro processo de adaptação da natureza! Até este texto.

Se os motivos para as nossas realizações transcenderem sobreviver, estas motivações são infinitas e tudo se torna deveras mais complicado e mais desafiador nos seres humanos. Neste segundo caso, pode-se ou não assumir concepção da sobrevivência para parte das nossas ações.

Interessante pensar que crer pessoalmente em Deus só é possível no segundo caso.

Em tempo, também é interessante perceber como se tenta naturalizar a maior parte das motivações na segunda condição. Na verdade, isso acontece porque a natureza é a grande referência da nossa mente.

A gente transcende quando se distancia deste jus naturalismo e passa a ter como interlocutor entre o natural e a mente a própria mente.

Apesar do referencial mental ainda ser maioria nas concepções gerais que a humanidade tem sobre si mesma, temos que convir que cada vez mais a sobrevivência torna-se justificativa de um agir individualista.

Particularmente, gosto de entender isso como clássica conseqüência das alterações que o sistema capitalista vem provocando na humanidade nos últimos séculos.

Seja o referencial natural, pragmático, seja o cultural, subjetivo, importante é notar que o agente desta compreensão está sempre em nós!.

Nós escolhemos a referência. Nós precisamos da explicação. Nós perguntamos. Nós encontramos a resposta. E para isso, obviamente, é preciso nascer e viver.

Por isso, nascer é a única coisa da qual a gente não se arrepende na vida e se arrepender de ter nascido é ultimo sentimento possível de se provocar no outro.

quarta-feira, 8 de março de 2006

Oooooooo Tatá......
Depois de tempos mirando os olhinhos que me miravam, tudo ficou claro diante de meus olhinhos. Não há bom, nem mal. Apenas estamos sós e isso assusta todo mundo por aqui! Por isso, nunca tivemos uma grande conversa sobre os problemas políticos e sociais, mas foi o suficiente você me parar no corredor com teu convite na mão pra que eu entendesse que tivemos todas as conversas do mundo.
Antes, já era teu espectador assíduo...querido. Vi tuas fantasias, nas olimpíadas, nas despedidas. Cafetão!!! Parecia que você já queria ensinar para todos que esta vida é só uma fantasia, não é?!...Ensinou!
Ri muito com você e foi ficando fácil te admirar. Por quê? Porque teu sorriso era puro demais, teu olhar sincero demais. Mesmo ainda ingênuo, mesmo ainda carregado um pouquinho. Não deu tempo de te agradecer pelo tanto que você me ouviu! Agradecer o tanto que me permitiu te invadir.
Em troca você resolveu me invadir e agora quer ficar aqui pra sempre.
Deixa eu te contar....um dia, um vizinho meu chamado Ricardo Saviano se foi como você. Era meu amigo. Amigo de passar a tarde junto sem fazer nada, sabe?!
Ele foi embora ao lado do irmão como você. Com 18 como você. Estudava no Pueri comigo, como você. Era bonito, como você. Engraçado, como você! O Dum, esse meu amigo, faz com que eu me lembre dele quase todo dia, porque deixou um vazio dentro de mim que nunca se encherá de outra coisa que não de saudade...como você, Tatá!
Tatá, meu amigo, té um dia.