Quem são os analfabetos de meu país. Quem é essa maioria aparentemente invisível aos olhos de meus pares, meus 4 milhões de colegas diplomados.
Quem são os pobres e miseráveis de meu país. Quem é essa maioria invisível aqui da minha janela, que não come e é fisicamente explorada em nosso cotidiano privado, cotidiano de meus poucos e bem aventurados 15 milhões de colegas com ganhos acima de 2 mil reais por mês.
domingo, 27 de maio de 2007
Com quem e sobre o que você está falando:::
domingo, 20 de maio de 2007
Imperfeita Lembrança
Algumas vezes por dia penso em meus amigos. Não todos, tanto os dias quanto amigos. Mas se contarmos o mês chego a pensar na maior parte. Em um ano, certamente, penso em todos por algumas vezes. Que bobagem, não! Não importa o quando, nem quantas vezes, é na qualidade de minha lembrança que mora a importância.
É que tudo começa de repente. Geralmente num momento de descuido a lembrança começa num flash, um gesto de segundos que me provoca um incondicional sorriso no canto da boca. Em seguida, tento sentir a parte da minha alma que pertence àquela pessoa. É tal pedacinho por ela lapidado e não é raro que pra isso leve eu alguns minutos, seja porque perdi o pedaço, seja porque ele é grande demais.
Nesta fase as lembranças tendem a aumentar, mas apenas tendem! São lembranças rasas do cheiro e das sensações daquele tempo em que tive ao lado do amigo, ainda que o tenha visto há alguns minutos atrás. Sigo a lembrar do porque não o vejo mais e me preparo para entrar no terceiro estágio.
O terceiro estágio é o das perguntas. A vontade de saber como está, vontade de saber se lembra de mim, por fim se essa pessoa precisou de minha ajuda num fim de tarde qualquer e se vai me perdoar e contar o que perdi por lá não ter estado.
Neste instante todo meu desejo é canalizado na vontade de ligar, entrar em contato. Ligar ali, de qualquer jeito, mesmo que tarde ou cedo demais pra ligar. Ligar pra marcar, pra ver, pra perguntar. Tudo isso nutrido da esperança de reinicio de uma convivência diária, semanal que seja, convivência de série de TV, convivência natural, convivência que já nasce se sabendo impossível e mesmo assim guardando a esperança do quase.
E tudo termina de repente, em alguns segundos não tenho mais o telefone, nunca o tive, perdi o papel, o farol abre, não sei onde está o celular, alguém chega, alguém chama, caio no sono, volto a prestar atenção em quem me fala, bate o sinal, abro a geladeira, termina o comercial, toca a música que gosto no rádio, piscam as linhas do livro, e deixo pra um mais tarde infinito, me dá preguiça depressiva, fecho o chuveiro, o google me trás resultados demais. Tudo acaba num instante, e volta pro lugar de onde veio pra retornar dali dois ou três dias, dois, três meses.
Há quem diga que isso é nostalgia, há quem diga que é a dura pós-modernidade, digo eu que tudo isso me parece uma imperfeita pessoa tendo lampejos de sua imperfeita saudade.
domingo, 13 de maio de 2007
Desarticulação estrutural
Senso comum dizer que movimentos humanistas e de esquerda são desarticulados entre si e a meu ver a razão é simples: a esquerda se preocupa demais em apontar as próprias contradições. Devemos lembrar que ser de esquerda é antes de tudo ter senso crítico principalmente em relação às injustiças da luta de classes.
Logo, tendo a crer que a falta de critério é o que possibilitou a direita passar despercebida de seus conflitos idiossincráticos. É um absurdo um maçom se dizer cristão ao mesmo tempo, ou que ensinamentos budistas possam ser funcionalizados ao mundo executivo, ou ainda que “O segredo” (vigarice da pior qualidade) seja a razão de 2% deterem 90% da riqueza do mundo. Entretanto nenhuma destas contradições, mesmo reveladas, impede uma fusão, um negócio, uma festa, um networking para o futuro de nossas elites econômicas.
A contradição que na esquerda torna-se a razão de um imobilismo pleno, na direita subverte-se no nada. Pior, se ignorar as próprias contradições a esquerda corre fácil risco de se subverter naquilo que ela combate, dado que no limite é a práxis que regurgita o sistema vigente.
O mundo pragmático não pensa seus fundamentos, os incorpora deixando a esquizofrenia no plano do inconsciente.
Não proponho o mesmo modelo pra nós. Deixa a direita se esbaldar na contradição! Apenas identifico que enquanto a burguesia vai se alimento do cheiro de seus ralos, teatrinho do MST na Zona leste pra mim depende de quem faz, projeto de educação comunitária na Zona Sul pra eles também depende....e tudo isso parece pequeno demais pra chamar tão seriamente de desarticulação estrutural.