quarta-feira, 27 de setembro de 2006

Cuidado velho senhor...na Pós Modernidade indiferença vem disfarçada de tolerância...

Zygmunt Bauman é a bola da vez. Sociólogo polonês, ele vem chacoalhando o mundo com seu conceito de modernidade liquida. Então, vou falar um pouquinho sobre isso porque me surgiu a indagação: não seria essa tolerância pós-moderna, tolerância liquida...
Para Bauman a modernidade sólida deu lugar a liquida. A primeira seria justamente a que tem inicio com as transformações clássicas e o advento de um conjunto estável de valores e modos de vida cultural e político. Na modernidade líquida tudo é volátil, as relações humanas não são mais tangíveis e a vida em conjunto, seja familiar, de casais, de grupos de amigos, de afinidades políticas e assim por diante, perde consistência e estabilidade. Daí a tolerância de Dona Terezinha em relação a essa outra, a da pós-modernidade (onde pode tudo), me parecerem coisas distintas.
A Modernidade Líquida é a Modernidade do software em oposição ao hardware, é a Modernidade do tempo instantâneo que pouco se importa com o espaço. Acho que o mundo da Afinidade Socialista é outro, ele ainda tenta manter tradição, apego ideológico, espaço e tempo onde às transformações são reais e duradouras.
A tolerância liquida me parece o genérico ideológico. Ausência total de tradições, é o adaptável, é o eclético político e estético, é gostar de tudo, é o não compromisso com causas ou idéias. Por isso, velocidade, uma única faixa do cd e pronto. Identidades instantâneas, tolerância heterogênea veloz, disfarçada, sem coexistência real.
Os fluidos são assim. Se movem facilmente. Eles “fluem”, “escorrem”, “esvaem-se”, “respingam”, “transbordam”, “vazam”, “inundam”, Borrifam”, “pingam”; são “filtrados”, “destilados”; diferentemente dos sólidos, não são facilmente contidos – contornam certos obstáculos, dissolvem outros e invadem ou inundam seu caminho. Do encontro com sólidos emergem intactos, enquanto os sólidos que se encontraram, se permanecem sólidos, são alterados – ficam molhados ou encharcados. A extraordinárias mobilidade dos fluidos é o que os associa à mobilidade e à inconstância: sabemos pela prática que quanto mais leve viajamos, com maior facilidade e rapidez nos movemos.
É a Modernidade das guerras fiscais patrocinadas por “Fords”, “GMs” etc, que por sua atual fluidez permitem-se instantaneamente escorrer de um ponto ao outro sem ocupar-se que qualquer compromisso que lhes possam significar menor condição de leveza... É a Modernidade que, retratada no documentário Roger & Eu (de Michael More), que permite à GM abandonar Flint (sua comunidade natal) e avançar, sem pudores, remorsos ou autocríticas no plano da ética, sobre a fronteira do México, intransponível num sentido unilateral ao homem, mas tão permeável para outros fins.
Nessa Modernidade tudo há de ser fluido... As instituições, os relacionamentos, as práticas, o amor, a tolerância... Admitir viver conforme a pauta estrutural e valorativa da Modernidade Líquida é esquiar sobre gelo fino: “a salvação está na velocidade, pois quando se é traído pela qualidade, tende-se a buscar a desforra na quantidade”.
A nossa era é era de individualismo não-adulterado e de busca de boa vida, limitada só pela exigência de tolerância, como diz Bauman. Contudo “quando casada com individualismo autocelebrativo e livre de escrúpulos, a tolerância só pode se expressar na forma de indiferença”. A menos que queiramos suportar o “ônus” e o “peso” de uma ética de compromissos e solidariedades. Enfim, seja no âmbito político, relacional ou estético gostar de todos os estilos é, no limite, tolerá-los para si, evitando conflitos internos e externos e sendo veloz e indiferente.
Pense bem, não é isso que faz com que consigamos viver com nossas contradições...
Não somos nós líquidos em quase tudo...

O Líbano voltaou ao horror

Mais uma vez, o Líbano mergulhou no horror da guerra. Passados pouco mais de 15 anos do fim da guerra civil que o devastou, entre 1975 e 1990, o país foi pesadamente atacado por Israel a partir de 12 de julho último. Os bombardeios, além de fazer vítimas civis, abriram crateras nas rodovias e destruíram edifícios, pontes, usinas de energia elétrica e o aeroporto internacional da capital, Beirute. Israel impôs ainda um bloqueio aéreo e marítimo. A ofensiva militar israelense é uma resposta à captura, pelo grupo islâmico libanês Hezbollah, de dois soldados de Israel, em operação na qual outros oito militares israelenses morreram. O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, considerou essa ação "um ato de guerra do Líbano contra o Estado de Israel". Isso porque o Hezbollah, partido político com cadeiras no parlamento, também ocupa cargos no governo libanês.

Segundo o grupo islâmico, que exerce grande influência no sul do Líbano, próximo à fronteira israelense, os soldados foram capturados para pressionar Israel a soltar milhares de prisioneiros palestinos. Trata-se, também, de solidariedade aos militantes palestinos do Hamas, que em junho seqüestraram um soldado israelense, o que desencadeou uma primeira ofensiva militar de Israel contra a Faixa de Gaza.Apenas nos seis primeiros dias de ataques, cerca de 200 libaneses morreram. Do lado israelense, as perdas eram de pelo menos 24 pessoas. Além disso, os danos causados à infra-estrutura do Líbano são enormes.

"Voltar 20 anos"

O comando militar de Israel parecia prever uma longa operação. Um oficial israelense de alta patente disse, no começo do conflito, que Israel fará o tempo voltar 20 anos no Líbano se os reféns não forem libertados em boas condições. A terrível previsão remete justamente para o período da guerra civil.Em resposta à ofensiva israelense, o Hezbollah lançou foguetes do tipo katyusha (que podem carregar explosivos incendiários ou de fragmentação) contra várias cidades do norte de Israel. Os civis israelenses da região foram orientados a procurar abrigos antiaéreos. Fábricas e lojas foram fechadas, e muitas pessoas fugiram para o sul.

O governo libanês pediu ao Conselho de Segurança da ONU um cessar-fogo imediato e o fim do bloqueio marítimo e aéreo, mas o organismo, reunido em 14 de julho, não aprovou a proposta. O primeiro-ministro libanês, Fouad Siniora, afirmou que a ação israelense é desproporcional e que seu país está sendo castigado injustamente, pois o governo não tinha informações sobre a operação do Hezbollah. Essa é justamente a crítica de Israel: de que o governo libanês deixou de exercer plenamente sua autoridade e permitiu que o sul do país fosse tomado pelo terrorismo.

Analistas acreditam que o objetivo da atual ofensiva é impor uma dura derrota ao Hezbollah, que tem fortes ligações com o Irã e a Síria. O resultado serviria como advertência sobre o poderio militar israelense a esses países, além de reforçar a pressão contra o Hamas, grupo islâmico que chefia o governo da Autoridade Nacional Palestina. O presidente norte-americano, George W. Bush, afirmou que "Israel tem o direito de se defender", mas pediu também que o Estado judeu tenha cuidado e não enfraqueça o governo do Líbano.

História de tensões

A Síria tem grande influência sobre o Líbano e, até o ano passado, mantinha milhares de soldados no país. O presidente libanês, Émile Lahoud, é um aliado do governo sírio. Por outro lado, a república islâmica do Irã, surgida em 1979, foi a fonte de inspiração para o Hezbollah, um movimento muçulmano radical. Essa é a razão pela qual EUA, Israel e outros países voltem suas baterias contra a Síria e o Irã, ao reclamar o fim de hostilidades contra os israelenses pelo grupo islâmico, acusado de terrorista. Para entender até o fim as intrincadas relações em jogo, num país com muitas divisões étnicas e religiosas, é preciso retomar sua história.

A região do atual Líbano era ocupada, na Antiguidade, pela civilização fenícia, que floresceu por mais de 2 mil anos, a partir de 2700 a.C. Já na Era Cristã, os árabes muçulmanos anexaram a região entre 636 e 705. Apoiados pela parcela cristã maronita da população, os cruzados tomaram o país no fim do século XI. Foram expulsos pelos muçulmanos em 1291. Sob o comando de Selim I, o Império Turco-Otomano incorporou o Líbano em 1516.

No século XX, após a derrota dos turcos na I Guerra Mundial (1914-1918), o território atual da Síria e do Líbano ficou sob o comando francês. A França separou-os administrativamente e, em 1941, concedeu independência ao Líbano. Os nacionalistas venceram as eleições de 1943 e tentaram eliminar o controle francês na região, mas as tropas da França só abandonaram o país em 1947. A relação estreita com a Síria vem do fato de os sírios considerarem o Líbano parte de seu território histórico - a "grande Síria" -, que teria sido desmembrado por essa ação da França.

O país tornou-se, na aparência, uma democracia, com imprensa livre e eleições. Mas esse arranjo era até certo ponto artificial e mantinha as tensões étnicas, porque estava vinculado ao acordo de 1943, que estabelecia a divisão dos cargos parlamentares e executivos segundo as religiões existentes (veja texto abaixo). Isso significa que, independentemente das idéias que defenda, o presidente do país será sempre um cristão maronita, e um muçulmano sunita ocupará o cargo de primeiro-ministro. Nos anos seguintes, o Líbano recebeu 170 mil refugiados palestinos, depois da derrota dos exércitos árabes na guerra pela criação do Estado de Israel (1948/1949). Nova derrota árabe na Guerra dos Seis Dias contra Israel, em 1967, e o massacre e expulsão dos palestinos na Jordânia durante o Setembro Negro, em 1970, fizeram aumentar para mais de 300 mil o número de refugiados palestinos no Líbano.

A Organização para a Libertação da Palestina (OLP) estabeleceu então seu quartel-general em Beirute e começou a atacar Israel da fronteira libanesa. A presença da OLP rompeu o frágil equilíbrio entre as forças políticas no Líbano. Os palestinos eram apoiados pelos setores de esquerda, por muçulmanos e nacionalistas, e hostilizados pelos conservadores e pela parte cristã.

terça-feira, 26 de setembro de 2006

O dia em que me tornei mais um espelhinho de banheiro do Mundo

Rousseau disse que quando a primeira propriedade privada foi aceita pelos demais se inauguramos a desigualdade entre os homens, entretanto John Locke veio defendendo a tal propriedade como legitima quase ao mesmo tempo. Para Hobbes, a liberdade foi tolida pra nos tirar do Estado de Guerra e assim inaugurar o Estado de Direito, mas para La Boetie a sociedade é na verdade uma pirâmide de tiranos. Para Freud, o “amar ao próximo como a si mesmo” tornou-se a moralidade definitiva da civilização, mas para Nietzsche devemos olhar para além do Bem e do Mal. David Ricardo e Adam Smith se encarregaram de defender o Capitalismo, mas Marx e Engels mostraram a perversidade desse sistema e ainda propuseram o Socialismo (de alcova científica). Weber entendeu este momento como o de maior liberdade, mas Focault mostrou-nos os grilhões modernos nas microfísicas do poder. Estes homens e seus pares durante os últimos 500 anos verteram esforços para entender nossos conceitos, nossas relações sociais e nossa interação com o mundo real e das idéias.
O mundo então escolheu, ou não, ser o que é. E ele é em sua esmagadora maioria: Capitalismo Liberal Globalizado em Estados de Direito Republicanos, adeptos da Democracia Moderna e baseados nos princípios do Liberalismo Político de Liberdade, Igualdade e Fraternidade entre seus respectivos cidadãos, ditos indivíduos.
Nos últimos 10 anos (lê-se, muito pouco tempo) fui apresentado a estes pensadores, seus textos e ao mundo que acabei de descrever. Não sei se tenho legitimidade pra dizer, porém, que estes conceitos estão constantemente sendo reajustados por novos pensadores, ou porque este mundo não obedece aos conceitos, ou porque estes conceitos não obedecem ao tal mundo. Infelizmente, não sei responder.
Só sei que não posso fugir do mundo, mesmo não gostando daquilo que ele, em sua história, escolheu ou não para si. Acho que se eu fosse o mundo teria escolhido Anarquismo Autogestionado com ausência total de propriedade e Estado de Direito, com sistema de trocas de princípio socialista e fraternidade humanista entre todos os terráqueos. Talvez não tivéssemos Ipods e certamente não teríamos advogados, juízes e fronteiras. Infelizmente, também não pude escolher.
Então me perguntei: como viver em paz com este mundo que não escolhi?
Foram nas minhas relações pessoais que encontrei a resposta. Não há encaixe perfeito, buscamos aquilo que mais próximo está do que queremos, assim, chegamos mais rápido aos consensos com nossos próximos. Também não sei se é certo chegar a consensos apenas com gente parecida, mas enfim, é assim que eu vivo...
Este mundo não é nada parecido comigo, a não ser pelos conceitos de Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Na prática estes conceitos não coexistem no mundo e a razão é simples: não conseguimos alcançar fraternidade e igualdade em sociedades capitalistas (muito competitivas e fundadas nos conflitos de classes) e nas socialistas não alcançamos liberdade (por não serem hegemônicas) apesar da igualdade e certo princípio de fraternidade. Bom, não importa, quase todas as pessoas que conheço acreditam nos três mesmo nunca tendo visto os três juntos.
Então este é o desafio, a todos aqueles que conheço pela fraternidade (na forma de amor ao próximo), dar a liberdade (sempre que não custar a minha própria) e a igualdade (em todos os sentidos). Se não receber em troca todas destas premissas juntas, parto pra outra, provoco o desencontro, construo outra relação no lugar. Amor não é pressuposto de igualdade e muito menos de liberdade. Nem é preciso ar exemplos.
Aos mergulhados na competição de mercado, na defesa cega de suas classes sociais, na indiferença e suas irmãs de guerra darei a intolerância, porque para tolerar o intolerante é preciso ser incondicional e nunca o fui, de fato.
Assim dou ao mundo a lição que ele precisa para ser aquilo que não escolhi, mas aceito como boa escolha dele próprio. Só assim, declino à nossa história e vivo em paz com o mundo e minhas próprias circunstâncias. Só assim aguardarei paciente o momento histórico de me despertar para uma luta mais real, mais revolucionária.

domingo, 17 de setembro de 2006

O Maior Amor do Mundo...credo!!!

O filme tem dois momentos. No primeiro Wilker está no meio do lixo, na beira de um córrego de favela, contando ao espírito de sua mãe que iria declinar da condecoração presidencial que receberia naquele dia e derrama a única frase feliz deste filme: “enquanto o mundo estiver essa merda que está ninguém tem direito a receber nenhum tipo de medalha”. Fraquinha, mas passa. A outra é a cena de sua mãe dando a luz ao seu personagem no meio de mato, podia ser piegas, mas achei a imagem profunda e triste, a cena vale a pena. O resto é pornochanchada da pior qualidade com câmeras tremidas sem querer, cortes infantis, ritmo estranho, trilha ridícula, nudez gratuita, roteiro capenga, fora os “momentos plagio” do Cidade de Deus . Enfim, mais um clássico do pior de nosso cinema, daqueles que só Cacá Diegues, o tarado Paulo Peréio, o Jabor e sua turminha são capazes de fazer. Sem identidade e com aquela pitadinha de direção pretensiosa pro lado de fora do muro do quintal do Oscar. Ridículo!!!
Alô quadrilha dos sem talento, velharada que fazia cinema no Brasil quando aqui ainda era terra de ninguém e que ficam mantendo o carro do ano e outras extravagâncias com base na lei de incentivo, as entrevistinhas da TV a cabo e meia dúzia de paga paus nas faculdades de Cinema.

sábado, 16 de setembro de 2006

Saudades da pátria vermelha....

Acabei de reassistir no AXN a Caçada ao Outubro Vermelho. Mais uma bobagem sedutora regurgitando o pior da ideologia capitalista na onda da guerra fria. Pra descontaminar cantei a Internacional, que um dia merecerá um post só dela e o hino da pátria soviética, que morreu em 26 de dezembro de 1991.

óooo descontentes, façam o mesmo! De pé, vamos!!!
Morte ao Rambo e seus amiguinhos da sessão da tarde...

Hino da União Soviética - versão pós 1953 (que não cita mais Stálin)

União inquebravel das livres Repúblicas,
Mãe Rússia se uniu para sempre ficar,
Criada na luta e vontade do Povo,
Unido, supremo, é o nosso País!
Cantai à pátria, de nossa liberdade,
Sólida base dos povos irmãos,
Partido de Lênin é a força do povo
Que nos guia à vitória Comunista!
Nas tormentas nos brilha o Sol da Liberdade,
Caminho que o Grande Lenin traçou,
Em causa da verdade ele ergueu Povo,
No trabalho e na luta nos inspirou!
Cantai à pátria, de nossa liberdade,
Sólida base dos povos irmãos,
Partido de Lênin é a força do povo
Que nos guia à vitória Comunista!
Na vitória imortal do ideal Comunista,
Nós vemos o futuro de nosso país,
E ao tremular do Estandarte Vermelho,
Estaremos nós para sempre fiéis!
Cantai à pátria, de nossa liberdade,
Sólida base dos povos irmãos,
Partido de Lênin é a força do povo
Que nos guia à vitória Comunista!

Ouça de pé em: http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/4/4c/Hymne_Soviétique.ogg

Versão em Russo

Soyuz nerushimy respublik svobodnykh
Splotila naveki velikaya Rus'!
Da zdravstvuyet sozdanny voley narodov
Yediny, moguchy Sovetsky Soyuz!
Slavsya, Otechestvo nashe svobodnoye,
Druzhby narodov nadyozhny oplot,
Partiya Lenina — sila narodnaya
Nas k torzhestvu kommunizma vedyot!
Skvoz' grozy siyalo nam solntse svobody,
I Lenin veliky nam put' ozaril,
Na pravoye delo on podnyal narody,
Na trud i na podvigi nas vdokhnovil!
Slavsya, Otechestvo nashe svobodnoye,
Druzhby narodov nadyozhny oplot,
Partiya Lenina — sila narodnaya
Nas k torzhestvu kommunizma vedyot!
V pobede bessmertnykh idey kommunizma
My vidim gryadushcheye nashey strany,
I krasnomu znameni slavnoy otchizny
My budem vsegda bezzavetno verny!
Slavsya, Otechestvo nashe svobodnoye,
Druzhby narodov nadyozhny oplot,
Partiya Lenina — sila narodnaya
Nas k torzhestvu kommunizma vedyot!

Todos os hinos soviéticos em mp3: http://www.hymn.ru/index-en.html

quinta-feira, 14 de setembro de 2006

Em quem votar – parte 1

Este textinho vai ser óbvio. Mas o obvio não existe!

A regra é simples: o voto pode ser branco, nulo ou para um partido. A única coisa que o voto pode e não deve é ser para um candidato independente de seu partido. Não por acaso esse o caso da maioria dos votos e causa de boa parte da crise democrática.
Se você vota em branco é como se dissesse: que vença o melhor. Se você vota nulo diz: não concordo com o processo democrático (anarquistas, por exemplo) ou ainda, não aceito estes candidatos.

Os partidos são o que são. Denuncismo, traição dos interesses, qualquer que seja o argumento não fará sentido se você justapuser os quadros do partido e suas posturas em todas as áreas. Enfim, cuidado com os botecos e com a mídia horas aliada, horas inimiga.

Candidatos são pessoas normais e tem história pessoal e pública muitas vezes contraditória com a ideologia geral do partido, mas lá se encontram por razões políticas. Saber diferenciar esses detalhes é fundamental para votar corretamente, principalmente quando são candidatos ao legislativo, onde a fidelidade partidária é difícil de ser administrada. Outra coisa importante é votar em legisladores coerentes com o executivo. Não é bom votar no Alckmin pra presidente e no Suplicy pra Senador, eles são inimigos ideológicos, não vão governar juntos e perderão boa parte do tempo em quedas de braço.
Aqui tem um ótimo site com todas as informações sobre todos os candidatos do Brasil. Ultra detalhado!!!! Entre em: http://perfil.transparencia.org.br/

Você tem que saber que Partidos são representados por candidatos, mas não são feitos deles. Partidos tem ideologia, estrutura, história e base partidária. Tem projetos e pessoas filiadas e comprometidas com aquelas idéias. Quando um candidato ganha uma eleição quem irá governar é o partido e suas coligações e não aquele candidato. Exemplo, o Fernando Henrique não sabia nada de energia, o Lula não sabia nada de nada, ambos dependeram dos tecnocratas de seus partidos para realizar acordos e projetos em todas as áreas, mas levaram a fama pra facilitar a identificação do povo sobre determinada política. Governadores, prefeitos e presidentes não tomam decisões sem consultar seus grupos. Ou seja, não se vota no Lula, se vota no PT. Não se vota no Alckmin, se vota no PSDB e assim, sucessivamente.

Por isso a ultima coisa que você deve saber antes de uma eleição é quem você é. De que classe participa e qual defende. Quais são seus interesses. O mundo é dividido em direita e esquerda. De acordo com seus interesses você se situa e escolhe um partido que atenda aquilo que você deseja. Aqui há um texto de 2003 do Emir Sader curto e fantástico sobre o que é direita e esquerda e que certamente irá lhe ajudar: http://archives.econ.utah.edu/archives/reconquista-popular/2003w34/msg00073.htm

Por fim, aqui um ótimo texto do mesmo Emir analisando as posturas contraditórias do PT no governo: http://www.ircamericas.org/port/625