segunda-feira, 20 de março de 2006

Devaneios sobre o existir...

Todos os caminhos humanos levam a sobrevivência? Toda a forma de transcender nossa existência física, seja através de metafísica, seja através da fé, é apenas criação humana?

Estas respostas condicionam nossas compreensões. São questões limítrofes, cujas respostas se tornam postulados de nossas relações com o mundo que nos cerca.

Se todas as coisas que realizamos se motivam na sobrevivência, toda ação humana se torna função de um resultado natural, e até mesmo estabelecer leis para que duremos em maior quantidade e por mais tempo tornam-se puro processo de adaptação da natureza! Até este texto.

Se os motivos para as nossas realizações transcenderem sobreviver, estas motivações são infinitas e tudo se torna deveras mais complicado e mais desafiador nos seres humanos. Neste segundo caso, pode-se ou não assumir concepção da sobrevivência para parte das nossas ações.

Interessante pensar que crer pessoalmente em Deus só é possível no segundo caso.

Em tempo, também é interessante perceber como se tenta naturalizar a maior parte das motivações na segunda condição. Na verdade, isso acontece porque a natureza é a grande referência da nossa mente.

A gente transcende quando se distancia deste jus naturalismo e passa a ter como interlocutor entre o natural e a mente a própria mente.

Apesar do referencial mental ainda ser maioria nas concepções gerais que a humanidade tem sobre si mesma, temos que convir que cada vez mais a sobrevivência torna-se justificativa de um agir individualista.

Particularmente, gosto de entender isso como clássica conseqüência das alterações que o sistema capitalista vem provocando na humanidade nos últimos séculos.

Seja o referencial natural, pragmático, seja o cultural, subjetivo, importante é notar que o agente desta compreensão está sempre em nós!.

Nós escolhemos a referência. Nós precisamos da explicação. Nós perguntamos. Nós encontramos a resposta. E para isso, obviamente, é preciso nascer e viver.

Por isso, nascer é a única coisa da qual a gente não se arrepende na vida e se arrepender de ter nascido é ultimo sentimento possível de se provocar no outro.

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