Todos os caminhos humanos levam a sobrevivência? Toda a forma de transcender nossa existência física, seja através de metafísica, seja através da fé, é apenas criação humana?
Estas respostas condicionam nossas compreensões. São questões limítrofes, cujas respostas se tornam postulados de nossas relações com o mundo que nos cerca.
Se todas as coisas que realizamos se motivam na sobrevivência, toda ação humana se torna função de um resultado natural, e até mesmo estabelecer leis para que duremos em maior quantidade e por mais tempo tornam-se puro processo de adaptação da natureza! Até este texto.
Se os motivos para as nossas realizações transcenderem sobreviver, estas motivações são infinitas e tudo se torna deveras mais complicado e mais desafiador nos seres humanos. Neste segundo caso, pode-se ou não assumir concepção da sobrevivência para parte das nossas ações.
Interessante pensar que crer pessoalmente em Deus só é possível no segundo caso.
Em tempo, também é interessante perceber como se tenta naturalizar a maior parte das motivações na segunda condição. Na verdade, isso acontece porque a natureza é a grande referência da nossa mente.
A gente transcende quando se distancia deste jus naturalismo e passa a ter como interlocutor entre o natural e a mente a própria mente.
Apesar do referencial mental ainda ser maioria nas concepções gerais que a humanidade tem sobre si mesma, temos que convir que cada vez mais a sobrevivência torna-se justificativa de um agir individualista.
Particularmente, gosto de entender isso como clássica conseqüência das alterações que o sistema capitalista vem provocando na humanidade nos últimos séculos.
Seja o referencial natural, pragmático, seja o cultural, subjetivo, importante é notar que o agente desta compreensão está sempre em nós!.
Nós escolhemos a referência. Nós precisamos da explicação. Nós perguntamos. Nós encontramos a resposta. E para isso, obviamente, é preciso nascer e viver.
Por isso, nascer é a única coisa da qual a gente não se arrepende na vida e se arrepender de ter nascido é ultimo sentimento possível de se provocar no outro.
segunda-feira, 20 de março de 2006
Devaneios sobre o existir...
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