Muita gente me pergunta, depois de lapsos temporais, o que todo mundo pergunta pra quem não vê faz tempo: como vai você:::
Ao contrário do que fazemos no dia-a-dia com os conhecidos, nestes casos a pergunta é de verdade, a pessoa realmente quer saber o que está acontecendo na sua vida.
E é foda como na minha isso têm tomado ar constrangedor há anos. Nos últimos 5 anos sempre estive envolvido em projetos diferentes, empregos diferentes, diferentes empresas. Fiquei inquieto. Tornei-me inquieto. Mutante.
Médico sem fronteiras, sim tentei, sim gostaria. Cineasta e produtor, sim sou, sim serei. Professor, sim sempre fui, sempre o sou, não escapo, não desejo escapar. Astrônomo, sou, e me falta o telescópio. Cientista, sim quase fui, sim posso vir a ser. Na banda toquei, mas o violão corre de mim. Advogado, sim tentei, sim me frustrei, não, não desisti. Namorei, namoro, casarei, moro com meus pais, não moro mais. Viajei, vi o mundo, gostei e não gostei. Como o Alan Molinas, meu irmão e amigo, trabalho e trabalhei.
Realmente não fui convencional e não escolhi sê-lo ou não. E realmente, raramente me arrependo. Nada disso fiz pra mim. Queria salvar o mundo, sem perguntar se o mundo queria ser salvo, sem imaginar que não conseguiria salva-lo. Aliás, ainda o salvo, todo dia, sem sabê-lo. Picareta, talvez, há quem diga e porque não:: sou, sim, talvez.
Por isso a única coisa intacta nos últimos cinco anos são meus valores e ideais e, talvez o Bowie e o Vinicius de Morais, mas isto nunca ninguém quer saber de verdade como estão. Inda mais os meus!
A mim e aos que me acompanham de perto minhas escolhas soam como um roteiro, com um mínimo de sentido e estilo. Como eu, roteiro confuso, arbitrário, mas absolutamente intenso e gerando expectativa constante no espectador. Pelo menos a mim, minha própria vida sempre chama atenção.
Mas ainda assim me constranjo diante dos amigos de convivência lacunar, a eles, quando encontro-os, sempre penso parecer eu a lacuna do tempo que de novo irá nos separar.
Por isso respondo, como vai você: Não sei!
domingo, 8 de abril de 2007
Como vai você:::
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Um comentário:
"Nenhum povo conseguiu viver sem antes avaliar, estimar, julgar; mas quiseram isto, e nunca se permitiram julgar como o vizinho julga."
--Nietzsche in Also Sprach Zarathustra
É meu irmão, seus caminhos nunca foram óbvios, e, julgados pelos olhos da modernidade, nem sempre os mais eficientes. Mas com o sentido da vida certamente não está no Fordismo (talvez no Audismo? hehehe), estes julgamentos podem ser deprezados e a dialética de sua vida tira isto de letra.
Como vai você? Assim como eu! uma pessoa comum, pai de qualquer deus. Nesta canoa furada, remando contra a maré, não acredito em nada não, até duvido da fé.
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