Estou enjoado com esse deslumbre, principalmente com a Europa. Ele esta nas reportagens sobre a Alemanha, está no falso otimismo da Copa do Mundo, nos cafés que os jornalistas tomam bancados por suas redes de TV. Somos tão deslumbrados que mesmo figuras fáceis da mídia como o Amaury Jr. pareciam mochileiros de Serra Leoa durante essa copa. E o são...
Esse deslumbre imbecil e constrangedor estava em campo o tempo todo, não só contra a França, mas nos comerciais, nas entrevistas, no Ipod descendo do onibus. Outras razões para nossos deslumbrados jogadores talvez estavissem bem longe das quatro linhas.
O Brasil não é o mesmo aos olhos de deslumbre, ficou lugar comum dizer que correr atrás da bola já não é mais tão necessário, afinal, ser mais um na seleção pra quê. Sou amigo do Aécio Neves, bato boca com o Lula. Sou amigo do Zizou e o Barcelona joga pra mim. Saí da baixada santista, das baladas nos opalas velhos, pra vestir o uniforme do Real e viver como rei em Madri.
Esse deslumbre imbecil e constrangedor estava em campo o tempo todo, não só contra a França, mas nos comerciais, nas entrevistas, no Ipod descendo do onibus. Outras razões para nossos deslumbrados jogadores talvez estavissem bem longe das quatro linhas.
O Brasil não é o mesmo aos olhos de deslumbre, ficou lugar comum dizer que correr atrás da bola já não é mais tão necessário, afinal, ser mais um na seleção pra quê. Sou amigo do Aécio Neves, bato boca com o Lula. Sou amigo do Zizou e o Barcelona joga pra mim. Saí da baixada santista, das baladas nos opalas velhos, pra vestir o uniforme do Real e viver como rei em Madri.
Deslumbre vem de deslumbrar, deixar se levar pela luz, fascinar-se. Pode estar em tudo que supera suas expectativas, mas antes de tudo é uma ação humana. Uma relação de sedução diretamente ligada a sua história e suas circunstancias. Objetos, pessoas, lugares, idéias, situações, sensações, pouco importa o alvo do deslumbre.
Com nossa Seleção lembrei que o estrangeiro e rico sempre deslumbrou boa parte dos brasileiros. Razões são variadas, o turismo no Brasil é pifio, a minoria rica é a unica a ter contato direto com o mundo exterior e não se faz de rogada, ou ainda por sermos miseráveis e meio isolados de nossas fronteiras, assim o estrangeiro e pricipalmente o rico sempre nos pareceu um luxo. E o luxo nos deslumbra. Engraçado, porque lá somos exóticos tanto quanto os africanos. Somos o maior aglomerado de traficantes e putas que a Europa já viu. Como disse um amigo, nos tratam bem, mas sempre com o sorrisinho de colonizador no canto da boca. Agora imagine se sou amigo do Zizou...
Isso não deslumbra a Europa, não deslumbra a Argentina, mas a nós deslumbra...Talvez porque não tenhamos luta, porque não tenhamos o povo como protagonista de quase nada em nossa história.
Diziam que a globalização derrubaria fronteiras e era obvio que nacionalidades frágeis, como a do Brasil, acabariam indo junto com as linhas do mapa. Essa geração que nasceu nos anos oitenta nasceu na era da globalização....O Felipão canta o hino português, o Zico ama o Japão. Jogadores naturalizados estão por todo lado. Tudo bem, estes ainda viveram uma idéia de país. Agora, alguns dos novos já pertencem ao lugar nenhum.
Isso não deslumbra a Europa, não deslumbra a Argentina, mas a nós deslumbra...Talvez porque não tenhamos luta, porque não tenhamos o povo como protagonista de quase nada em nossa história.
Diziam que a globalização derrubaria fronteiras e era obvio que nacionalidades frágeis, como a do Brasil, acabariam indo junto com as linhas do mapa. Essa geração que nasceu nos anos oitenta nasceu na era da globalização....O Felipão canta o hino português, o Zico ama o Japão. Jogadores naturalizados estão por todo lado. Tudo bem, estes ainda viveram uma idéia de país. Agora, alguns dos novos já pertencem ao lugar nenhum.
Sem pátria, o menino jogador não quer mais jogar na Seleção, ele quer jogar na Inter de Milão.
Quando era o rapaz de média alta que fazia um mestrado lá na puta que paril e voltava cheio de si, tudo bem. Quando era a menina de classe média que catava um italiano maravilhoso na balada não ligavamos. Quando foi a vizinha sorridente exibindo a visita do amigo australiano quase como um troféu, passou vai.
Quando era o rapaz de média alta que fazia um mestrado lá na puta que paril e voltava cheio de si, tudo bem. Quando era a menina de classe média que catava um italiano maravilhoso na balada não ligavamos. Quando foi a vizinha sorridente exibindo a visita do amigo australiano quase como um troféu, passou vai.
E quando são DOIS MILHÕES de brazucas considerados pobres, feios, interioranos se espalhando clandestinos pelas cidades sedutoras do mundo rico a gente finge que não vê.
Mas futebol, como disse anteriormente, é arquétipo de nossa identidade nacional e quando ele se despatria soa o alarme de que estamos, aos poucos, deixando de existir...
Estou enjoado com o deslumbre. Um plasil, por favor.
Estou enjoado com o deslumbre. Um plasil, por favor.
3 comentários:
E você acha que a solução do mundo ou do Brasil é cada um ser nacionalista, defendendo sua identidade?
Nao, não acho sequer que haja solução para o problema. Mas desculpe se não fui claro, o problema está nos efeitos que o mercado tem sobre nossa cultura e nossa identidade. Hoje, atingindo o futebol. Cada região do planeta, não necessariamente as fornteiras de um país, possui uma cultura e uma história especifica. Acho essa diversidade rica! Maravilhosa...mas acho qe estamos deixando de preserva-la em detrimento a outros interesses.
Como o futebol é um assunto de interesse quase geral é gostoso enxergar através dele as transformações do tempo.
Em tempo, nacionalismo e patriotismo são coisas diferentes, tentei ser mais patriota do que nacionalista.
Claro q temos q ser patriotas ou nacionalistas sim!
Se naum formos quem será?
Todo mundo é nacionalista ou patriota pq num devemos ser?
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