sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Auto-Sequestro

Estar refém em si mesmo não é a mesma coisa de estar ensimesmado. Somos reféns de si mesmos quando nossas vontades furtam nosso livre-arbítrio, nossas escolhas ficam emudecidas e nossas ações ridículas. Acontece na paixão, na raiva, nos coquetéis de insegurança, na depressão e às vezes no tédio. Também acontece na infância, na adolescência e no recalque destas duas construções burguesas, provocado pelo infantilizador consumismo das pessoas e das coisas.

Agora, crime hediondo é outra coisa. Crime hediondo é quando alguém usa seu sentimento pra te dominar, chantagear, possuir, impedir, convencer, enfim, quando a vulnerabilidade voluntária do amor e afeto tornam-se armas de controle e suplicio de nós mesmos. É como se a Síndrome de Estocolmo viesse antes do ato em si.

O problema é que nestes casos fatalmente o sequestrador já é refém de si prório. Por isso, não importa, em ambas situações ou somos autores ou cúmplices daquilo que acredito a mais perigosa crueldade de todos os nossos vícios sociais, tornamo-nos a personificação da opressão e da violência em nosso próprio auto-seqüestro.

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