segunda-feira, 29 de outubro de 2007

O Passado de Babenco

Na verdade nem sei se é um grande filme, mas certamente O Passado é no mínimo bom. Achei o Gael meio apagado, sinto que não soube dar o tom ao homem frágil que interpretou. Resolvi escrever porque as obsessões amorosas que ele narra me chocaram. Começo dizendo que chocaram porque são reais, em maior ou menor grau, no presente ou no passado de todos nós.

Antes de tudo é preciso dizer que o pólo aglutinador de toda obsessão é o homem frágil, daqueles que se perdem diante de qualquer intempérie mais grave, dos que não sabem viver sozinhos. Entretanto não sei até que ponto, mesmo fortes, poderíamos impedir a obsessão do outro, presenciar obsessões parece ser inevitável. O que quero dizer é que a fragilidade de Rimini, para além de presenciar as obsessões, as vivenciava e as nutria de sua própria fraqueza.

Por isso não seria imaturo e generalista dizer que as obsessões que vivencio na vida se nutrem de minhas próprias fraquezas, creio que nisso este filme é arrasador.

Um aspecto não tão intimista e que na película chega a ser debochado são os retratos da obsessão e dos vínculos absurdos nascidos na relação a dois: a incapacidade e constrangimento de se lidar com a ruptura; os ciúmes (sombra da insegurança); a posse; a violência implacável das paixões; a imaturidade sexual; a dependência e carência afetiva como coisas distintas; o papel da família (forçando-se perpetuar dentro dos próprios modelos); a relação desigual entre os gêneros transcendendo fragilidades individuais. Enfim, são muitos os exemplos, e todos apresentados como formas de obsessões explícitas que acabam assustando o espectador.

E me perdoem se parecer repetitivo dizer-lhes, assustam quase sem suspense, assustam porque são aberrações de nossa própria experiência. O filme mostra que o passado pode ser um cadáver no armário, e talvez sem querer, dependendo de como o vivemos, o presente pode ser desta mesma natureza.

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