domingo, 26 de agosto de 2007

Ciência como vocação. Cinema como Vocação.

Fazia muito tempo que não lia o clássico “Ciência como Vocação”, texto do Weber, de 1917. Weber fez uma defesa da educação científica distante de convicções políticas (uma busca de neutralidade exterior). Por sua vez, o cientista-professor deveria mergulhar no trabalho árduo, aguardando o acaso de uma intuição que produzisse algo relevante ainda que não permanente. No furação do progresso há sempre a possibilidade de um novo progresso e imerso neste infinito não há sentido na morte, tampouco na vida. Ela sempre estará incompleta já que deveria continuar indefinidamente.
Mas Weber diz (não que isto seja central em seu texto) que arte também necessita desta mesma intuição. A diferença é que seu resultado tende a ser permanente. Arte não se associa ao mesmo sentido de progresso que a ciência. Cada um dos que contemplam uma obra de arte verdadeiramente acabada, distante de intenções empresariais, aprecia talvez diversamente sua significação, mas nunca pode dizer que ela foi ultrapassada por outra obra de arte.
Como eu venho pensando muito em Cinema foi inevitável a associação.
O que deve ter o cineasta por vocação?
Em primeiro lugar o cinema é uma forma de arte coletiva, o que já é completamente distinto do trabalho intelectual. A idéia de um único cineasta, o tal diretor, ainda que faça sentido à idéia de cinema autoral, não me parece justa, nem mesmo criteriosa para expressar o que realmente é a arte de fazer um filme.
Num segundo momento, o Cinema é uma arte que nasce na modernidade dominada pelo capital e pela racionalização. Portanto, o sentido de permanência da obra cinematográfica pode nos enganar, haja posto, por exemplo, que o marketing que forja alguns de nossos diretores únicos é o mesmo que vende sabão em pó.
Mas, com um pouco de estudo e análise da produção e discurso fílmico, acho difícil permanecer um “Velozes e Furiosos” ou um “Ghostbusters” para muito além de suas próprias gerações, enquanto um Hithcock ou um Almodóvar, transcendem seu tempo, como já vem acontecendo há algumas décadas.
Afinal, quais as características de um cinema vocacional?
Talvez este post ainda seja pequeno, e este autor igualmente, pra uma resposta de tamanho quilate, mas um começo não seria audacioso: imagino que qualquer filme que se proponha fruto desta intuição e de árduo trabalho, ou seja, qualquer filme que almeje a permanência da arte precisará, no mínimo, da presença de uma mesma “natureza de personalidade” que teve o prório Max Weber.

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