domingo, 3 de junho de 2007

Levante-me

Meio sem querer sempre vivi levantes. Foi na imperfeição da superfície de minhas idéias lacunares, ou talvez minha pretensão de estar na ponta da lança de nosso tempo. E assim, quase sem querer, sempre vivi levantes.
Minhas experiências acadêmicas foram levantes. Minhas idéiassão levantes. Meu amor é um levante. Não uso aliança, não sou registrado, minha relação familiar é rasa, meus amigos são independentes, meu carro não está no nome e não tenho nenhuma propriedade. Em resumo, minha vida privada é um levante.
Meus projetos e trabalhos são levantes, são curtos e intensos e quando longos, não se estruturam em nada! Sou, portanto, um pirata.Não tenho bandeira de país, não sou nem brasileiro, nem belga, nem italiano.
Meu passado, salvo raras exceções, é como é toda lembrança, um levante. Nem mesmo eu deixo de ser um levante. Trafego pelas esferas sociais sem medo, sem pudor, passo por estrangeiro de todas elas. O mesmo faço comigo, minhas roupas, meu humor, meu sorriso são levantes, como se fosse eu estrangeiro de mim.
A única coisa que tomo é a força da luta humanista que me movimenta. Nesse enorme tecido que é o humanismo caminho institucionalizado, eu por inteiro.

Um comentário:

Anônimo disse...

Mas é só o humanismo que vale a pena neste mundo, meu caro! Então não lamente os seus levantes. Orgulhe-se da sua institucionalização.