Perto da colina havia um homem parado. Não se tratava de ninguém menos que um fidalgo. O vendo balançava sua capa fidalga e seu olhar, meio vesgo e cerrado, de longe, podia ser avistado. Mas seu coração, entre tantas camisas e o colete, bem como seus segredos, quais o mundo era joguete, estes, não se via nem na mais profunda proximidade. Não que ele os escondesse, disto sua nobreza egocêntrica não faria nenhuma questão, ao menos para os não clientes, e por mentir pra clientes não podemos culpá-lo. Na verdade não se via nada além de sua imagem, estática, porque ele próprio disso se convencia. No fundo era só um camponês esperto, que parado do outro lado da colina, roubava a consciência dos transeuntes, convencendo as vitimas que para lá olhavam que a sombra do espantalho do meu quintal era ele próprio, de corpo, alma e história fidalga. Mas quem não via fidalgo algum simplesmente ia embora maldizendo o camponês larápio, ou ainda, o próprio espantalho.
Perdoem a introspecção, mas por morar logo depois da colina, volta e meio recebo gente em casa reclamando de meu vizinho. Ando pensando em tirar o espantalho e perder algumas espigas em minhas safras, corvos também comem gente viva?
sábado, 20 de março de 2010
Parado no pé da colina
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