quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

A era da expressão

Andy Wharol foi visionário quando disse que todos teriam 15 minutos de fama. A proliferação da TV, a efemeridade da notícia, os “realitys”, a internet, o cinema digital parece ser só o prelúdio deste imenso processo decorrente do advento da imagem na modernidade.

Entretanto, nada disso deve ser analisado como autômato. São imbricadas relações entre os processos e modelos de desenvolvimento das sociedades ocidentais capitalistas, lê-se a revolução industrial, economia do conhecimento, mundialização do capital, e aquilo que os alemães convencionaram chamar de cultura de massa.
E aí entra nossa (minha e de Bia) percepção de hoje. Superamos a era da imagem e entramos na era da fala.

A cultura do RH, também conhecida como psicologia de botequim, há tempos anuncia aos quatro ventos para o profissional cuidar de sua aparência. A classe média B e C (as grandes vítimas dos experimentalismos sádicos e behavioristas dos psicólogos de empresa) correram as lojas, esconderam as tatuagens, cortaram os cabelos, combinaram a melhor gravata.
Até que de uns tempos pra cá, e não faz muito tempo, começou a disseminação da cultura falastrona. O indivíduo deve se impor, mostrar que está pensando, se comunicar. Timidez (seja trauma ou sensatez) é crime. Também pudera, é a era da comunicação. Até graduações picaretas com esse nome começaram a surgir nas faculdades.

De qualquer forma, não importa se você tem algo a dizer. Você deve dizer. Tem que ter uma opinião. E não basta tê-la, não importa como. Você deve expressa-la. Mostrar que está ali. Expor sua imagem interior. E tudo imparcial, apartidário, despolitizado, senão não vale, ofende, o parcial não sabe que o barato agora é a neutralidade, a hegemonia do Gandhi e seu senso comum sobre o caminho do meio.

Veja que curiosamente isso vem contaminado as relações privadas, os blogs e twitters, há um aumento abrupto e absurdo dos amigos entreteiners, dos palhaços da turma, da autoconfiança e auto-estima. Mas minha aposta é que isso começou com os gurus do emprego, no especulativo mundo do RH.

Nós, eu e Bia, que sempre falamos demais, estamos cada vez quietos (por vergonha disfarçada de bom senso) e agora eu fico atávico com toda essa falastria. Passa diante da minha vida tantos cursos. Tantas reuniões. Tanta vaidade, o pecado predileto do diabo. Bom, como dizia meu amigo, o mendigo João, só use contra mim...

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